Novos painéis de arte de Côa descodificados
- paleocoa
- 9 de out. de 2017
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No âmbito do projeto PALÆOCÔA, concluíram-se os decalques de três importantes painéis do Vale do Côa, as rochas 1 e 2 do sítio do Tudão e a rocha 7 da Faia.
As representações da rocha 1 do Tudão (Vila Nova de Foz Côa) estendem-se por cerca de seis metros e são estilisticamente atribuíveis ao Azilense, tendo-se identificado várias dezenas de veados, quatro cavalos e uma quantidade considerável de signos não figurativos. A rocha apresenta uma fase mais antiga, comprovada pelo estudo das sobreposições e caracterizada pela presença exclusiva de veados, que deverá ser atribuída ao Magdalenense médio ou final. Para além do dispositivo gráfico paleolítico, esta rocha conta também com uma importante fase da Idade do Ferro.
Na rocha 2 identificaram-se apenas cinco animais (três deles cervas), atribuíveis ao Azilense.
A rocha 7 da Faia (Vale Afonsinho, Figueira de Castelo Rodrigo) apresenta algumas caraterísticas singulares no contexto da arte paleolítica do Vale do Côa. Trata-se de um painel granítico de morfologia irregular e localiza-se no interior de um abrigo sem acesso direto da luz solar, caso único no Vale do Côa. Nele observa-se uma grande cerva picotada, disposta na vertical e inclinada para baixo, cujos paralelos nos permitem situar em época pré-magdalenense. Trata-se de um tema cuja ocorrência isolada é extremamente rara no contexto da arte pré-magdalenense do Côa. O interesse deste abrigo resulta também do achado no seu interior e nas imediações de vestígios líticos atribuíveis ao Paleolítico.